O documentário "A Rua é Delas" integra um kit multimídia de jornalismo com o tema "A Mulher na Produção do Grafite de Salvador". O projeto é resultado do trabalho de conclusão do curso de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pelo Centro Universitário Jorge Amado e traz entrevistas com as grafiteiras RBK, Monica e Chermie, além do grafiteiro Julio Costa. As entrevistas foram feitas entre agosto e novembro de 2012. Confira:
O programa 3x1, exibido pela TV Brasil, levou ao ar no último dia 26 uma discussão interessante sobre o grafite brasileiro. O jornalista Luiz Carlos Azedo recebeu Pamela Anarkia, Marcelo Ment e Erko da BF como convidados. Os três fazem parte de uma nova geração de artistas que conquistaram o mundo com seus trabalhos e estão ajudando a mudar a cara do grafite.
Assista ao programa na íntegra:
Clique para assistir
Por Amanda Julieta.
Imagem: Pamela Anarkia, Marcelo Ment e Erko da BF na TV Brasil/Divulgação.
Quem ainda não conhece
a grafiteira Anarkia Boladona, está perdendo arte engajada de primeira qualidade. A mulher
por trás da tag é a carioca Panmela
Castro, que ganhou o mundo através do grafite, utilizado por ela para denunciar
questões importantes como a discriminação e a violência contra a mulher.
Panmela começou a
grafitar nos muros do Subúrbio do Rio de Janeiro, com desenhos que falam sobre
sexualidade, igualdade e de como combater a violência doméstica sofrida pelas
mulheres. O trabalho foi descoberto por uma organização americana feminista e,
logo, a grafiteira foi convidada a pintar em diversos países.
A artista trabalha,
ainda, com um projeto social que usa o grafite para valorizar as mulheres. Panmela
é fundadora e presidente da Rede NAMI – uma rede feminista lançada em 2010, que
usa as artes urbanas para promover os direitos das mulheres.
No início deste ano, Panmela
entrou na lista da revista americana Newsweek
como uma das 150 mulheres com coragem e vontade para mudar o mundo. Além
dela, a presidente Dilma Roussef foi a única brasileira eleita.
É
possível conhecer o trabalho da grafiteira através do seu blog,
clicando aqui. Saiba mais sobre Panmela na reportagem feita pelo Jornal Hoje,
da Rede Globo:
"Grafiteiras pela Lei Maria da Penha" é um projeto de grafiteiras cariocas que se uniram para conscientizar a sociedade através do grafite e do movimento hip hop. Durante algumas datas de 2008, elas percorreram comunidades do Rio de Janeiro visando divulgar e apoiar essa lei que protege a mulher da violência física em todo o país. Veja o vídeo do projeto:
Antes de entrar no universo do grafite feminino em Salvador, é preciso conhecer um pouco a história da chegada dessa manifestação artística à capital baiana. Uma vez que não seria possível falar sobre as grafiteiras, sem antes conhecer o cenário local e meio em que elas se inserem.
Foto: JFParanaguá/ Divulgação.
A arte de origem estadunidense chegou com força à Bahia durante a década de noventa, ainda tratado como vandalismo, como agressões ao espaço urbano da cidade e por muito tempo assim permaneceu. As comparações com a pixação eram inevitáveis, e segundo o grafiteiro Eder Muniz a única coisa que as diferencia é a escala de cores. Um tende a ser monocromático e o outro colorido, mas ambas são formas de expressarem suas emoções e insatisfações.
Aqueles que começaram a grafitar nesse período tiveram que enfrentar, além do preconceito costumeiro, a falta de material de qualidade para trabalhar, pois não existia no mercado baiano sprays e tintas especificas para a atividade. Apesar das dificuldades aqueles que se empenharam e prosseguiram, puderam colher os frutos de seu trabalho.
Em 2005 a prefeitura de Salvador, sob a gestão do Prefeito João Henrique, deu inicio ao Projeto Salvador Grafita. Um dos principais objetivos do projeto era estimular jovens grafiteiros a se desenvolver artisticamente, aprimorando suas formas de expressão, conseguindo produzir uma arte mais elaborada, com mais conteúdo e consciência social. O projeto fez intervenções em viadutos, escolas, hospitais e outras áreas públicas da capital baiana, da Orla, ao Subúrbio Ferroviário. A partir desse período a cidade passou a olhar o grafite com outros olhos, e varias portas foram abertas para os grafiteiros soteropolitanos.
Para conhecer mais sobre essa história, e conhecer alguns dos grafiteiros que participaram desde o inicio do processo é possível assistir
ao documentário Grafite SSA, produzido por Leandro Uema no ano 2011. O documentário é composto de vários depoimentos pessoais, e está disponível no Youtube e também aqui no blog.
Lugar de grafite também é na Biblioteca. Todas as terças e quintas-feiras, a Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, no bairro de Nazaré, oferece aulas gratuitas de grafite. Ministradas pela artista plástica Rebeca Lawinsky, as oficinas são voltadas para jovens entre 15 e 25 anos e acontecem pela manhã, às 09h e no turno da tarde, às 15h.
Foto: Fernando Gomes/Divulgação
Trabalhando com os conceitos de intervenção urbana, Rebeca incentiva os jovens a pensarem sobre a ocupação do espaço público, através do contato com o grafite, arte que nasceu nas ruas, mas ganhou outros espaços ao longo do tempo, como galerias, casas e museus. Além de Salvador, Rebeca ministra as oficinas nas cidades de Cipó e Ribeira do Pombal, no interior do estado.
Rebeca Lawinsky é arte-educadora e começou a grafitar em 2006. Confira um depoimento da artista sobre as suas oficinas e a importância destas para a valorização da arte produzida pelos seus alunos:
Informações sobre as oficinas: (71) 3117-1411/1571 - Biblioteca Infantil Monteiro Lobato.
O
Grafite é uma expressão artística muito antiga, com vestígios até no Império
Romano. O conceito mais aceito é o de que o grafite é um
tipo de inscrição feita em paredes. No mundo contemporâneo temos como
referencia a cidade de Nova York que na década de 70 alguns jovens começaram a
fazer seus desenhos nas paredes da cidade e anos depois evoluíram suas
técnicas, transformando o grafite no que é hoje em dia.
O Grafite tem uma grande ligação com vários movimentos, mas o
que tem maior destaque é o hip hop. É até confuso dizer se o grafite faz parte
do hip hop ou se é o hip hop que faz parte do Grafite, mas o fato é que eles
andam de mãos dadas. A cultura hip hop procura expressar pensamentos e
questionamentos fora do padrão e até revolucionários, na contra mão da
sociedade chega a ter um certo protesto para fazer as pessoas refletirem sobre
os conflitos que a sociedade vive, principalmente étnicos e sociais.
Eis
então que acha seu complemento perfeito, o Grafite que é mais uma maneira de
expor todas essas ideias, além uma visibilidade inovadora que são as ruas por
onde milhões de pessoas transitam todos os dias, e como em um outdoor de ideias
chama a atenção de muitos.
Nessa matéria confira um videos feitos por grafiteiros de Minas Gerais que procuram explicar o que é esse movimento: